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Tempo p 39 3a prova.p65

ISSN 0101-4838
Considerando que vivemos num contexto cultural em que a lei do mercado se impõe e transforma tudo e todos em mercadorias e bensdescartáveis, onde o corpo é banalizado em apelos comerciais, interroga-mos as fantasias subjacentes ao erotismo na contemporaneidade. Para tal,recorremos à Psicanálise e à Filosofia, mantendo na clínica cotidiana nossointeresse predominante.
Palavras-chave: erotismo; sintoma; versão paterna; contemporaneidade.
ABSTRACT
EROTICISM, A PÈRE-VERSION
Given that we live in a culture subject to the law of the market, in which the human body is exposed in the media, selling all kinds of commodities,we ask ourselves which fantasies are subjacent to the contemporary experienceof eroticism. We rely on Psychoanalysis and Philosophy, but clinical practice isour main concern. Keywords: eroticism; symptom; symbolic metaphor; contemporaneity. Quando nos interrogamos sobre o erotismo, em que condi- ções o desejo erótico emerge, caminhamos fundamentalmente pela * Psicanalista; Membro Psicanalista da SPID; Mestre em Teoria Psicanalítica TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 78 • CYNTHIA DE PAOLI
via subjetiva e necessariamente recorremos aos pensadores na áreada Psicanálise e da Filosofia.
Na Psicanálise, recorremos às teorias do Complexo de Édipo, em que Freud articula o surgimento do desejo ao objeto incestuoso.
Lacan traz a tragédia de Sófocles para o campo da linguagem. Eleafirma que para que o sujeito tenha acesso ao campo do desejo épreciso que o falo se desprenda do corpo, seja simbolizado, produ-zindo uma metáfora ordenadora do campo do desejo e gozo.
Na Filosofia, Georges Bataille ([1957] 1987) sustenta que o erotismo surge na transgressão da lei instituída. Não se trata, contu-do, da violação perversa da norma tal como trata a psicanálise, masde uma transgressão prevista na regulação dos grupos organizados.
Este trabalho visa interrogar o erotismo na contemporaneidade, o que existe de perene no desejo do homem através dos tempos e oque foi afetado pela cultura e pelos meios de comunicação atuaisque nos impingem uma avalanche de imagens de corpos desveladosnum apelo frenético à sexualidade.
EROTISMO E A PSICANÁLISE: FREUD E LACAN
O DESEJO ESTÁ NA ORIGEM DA LEI
Desde “Totem e tabu”, Freud ([1913] 1976) busca explicar a formação dos grupos sociais a partir da presença dos interditos quelimitavam as liberdades dos integrantes e como ordenavam a relaçãoentre eles. Recorrendo ao mito de um grupo primitivo, Freud apon-ta a necessidade da existência da lei para a organização social.
O grupo a que se refere Freud tem no chefe do clã um pai todo-poderoso que usufruía todos os prazeres e direitos, enquantoseus filhos, a ele submetidos, de nada podiam gozar, só lhes restavamos deveres. Revoltados, esses filhos se uniram no ódio ao pai acaban-do por assassiná-lo, almejando obter as benesses que lhes aprouvesse.
Diferentemente do que supunham, suas vidas não se tornaram maisprazerosas, mas ainda mais angustiadas. Sem o parâmetro da lei que TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 EROTISMO, UMA PÈRE-VERSION • 79
o pai representava, seus filhos encontraram-se desnorteados, sem sabera quem ou ao que se dirigir; sem regulação das liberdades, todo pró-ximo passa a ser uma ameaça às conquistas pessoais. Em decorrênciada ausência da lei imposta pelo pai, os filhos se encontraram aflitose atônitos frente aos direitos ao gozo dos bens e das mulheres quetanto almejavam num momento anterior.
Os filhos, assassinos do pai tirânico que ditava a lei, uniram-se numa fratria movidos pela angústia decorrente da ausência de qual-quer balizamento, deparando-se com a estranheza que se impunhafrente à proximidade do semelhante. Foram então criadas normasreguladoras dos direitos adquiridos, entre eles a posse das mulheresdo clã, estabelecendo relações de aliança. Assim, Freud apontou anecessidade da lei para o estabelecimento dos laços sociais. O totemfoi instituído numa evocação do pai e de sua lei, que se torna entãomais forte na morte que em vida.
Neste trabalho, Freud enunciava que a regulação da sexualida- de e dos limites na relação com o próximo eram condições depertencimento aos grupos organizados, trazendo uma sensação desegurança interna ao grupo. É então preciso que o excesso de gozoseja experimentado para que se faça necessário instituir uma leique o regule. Contudo, este ato porta um paradoxo, pois, na me-dida em que o interdito constitui a lei, ele funda, simultaneamen-te, sua transgressão.
Lacan, em sua leitura de “Totem e tabu”, vai além das formula- ções freudianas. Ele cita e subverte a máxima de Nietzche: “Se Deusestá morto, então tudo é permitido”; para Lacan, muito ao contrá-rio, se “Deus está morto nada é mais permitido” (Lacan, [1969-1970] 1992: 113), pois que, não havendo lei, o campo do desejo egozo está indefinido, o sujeito fica à deriva, sem saber de que gozarou o que desejar. É então o não, o interdito, o que funda o desejo eregula o gozo.
Freud ([1921] 1976) volta a abordar a formação dos grupos sociais em vários momentos, entre eles “Psicologia das massas e aná-lise do eu”. Freud sustenta que para que um grupo se forme é preciso TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 80 • CYNTHIA DE PAOLI
que exista um elemento comum entre seus membros, um líder comquem mantenham uma relação vertical, líder este que seria um mode-lo identificatório, representasse um ideal a perseguir. Assim, o líderdeterminaria uma identificação e coesão entre os integrantes quepassariam a constituir um grupo organizado e não mais uma multi-dão dispersa.
Em “Mal-estar na civilização”, Freud ([1930] 1976) sustenta que o respeito à lei e a renúncia ao gozo, exigidos para se ingressarno campo da cultura, imprimiriam no homem um mal-estar, umainfelicidade e uma insatisfação em relação ao desejo. Estes senti-mentos se imporiam, produzindo um resto de afeto não significadoque surge como angústia. É preciso então que se “pague” com uma“libra de carne” para se ter acesso à civilização.
Lacan traz as teorizações freudianas para o campo da lingua- gem. Para ele, a entrada do sujeito no campo simbólico implica umarenúncia ao gozo pleno, só obtenível em estado de harmonia com anatureza. A inserção na cultura e o advento da linguagem determi-nariam no sujeito uma perspectiva trágica na relação com o outro,marcada pelo sentimento de estranheza e isolamento.
A civilização implicaria rompimento com a natureza, perda da relação de reciprocidade com o outro sexo, produzindo umaindeterminação frente ao objeto de satisfação, que, no mundo ani-mal, é definida a priori. O homem estaria fadado a experimentar umsentimento de perda, definido pela presença de um excesso sem re-presentação e de angústia. O sentimento de vazio, como se algo ti-vesse sumido, não se sabe o que, foi o que Freud chamou de “nostal-gia do objeto perdido” – sentimento desligado de sentido, marcadopor opacidade e dor. Assim, contraímos uma dívida simbólica paraaceder ao campo do desejo, campo este que só alcançamos a partirda renúncia ao gozo exigida pelo Outro. Lacan assevera que a sinado homem é buscar, de forma incessante, recuperar o gozo suple-mentar que acredita ter perdido.
Como Freud antecipara em 1895 (1976), em “O projeto”, o que o homem busca no objeto é o reencontro com o objeto perdido TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 EROTISMO, UMA PÈRE-VERSION • 81
e mítico, das Ding. Assim, o objeto investido libidinalmente é sem-pre referido a esse momento primeiro, lógico, que o sujeito imaginater vivido, em que não havia estranheza, perda ou diferença e simreciprocidade entre os seres. O desejo insatisfeito é destino do ho-mem, que visa das Ding – a Mãe enquanto objeto primordial –, maso que encontra é die sache, os objetos parciais da pulsão.
O DESEJO É INCESTUOSO
As formulações iniciais de Freud, anteriores à concepção de in- consciente, eram muitas vezes feitas com seus interlocutores por corres-pondência, entre eles Fliess, a quem endereçava a análise dos própriossonhos. Na carta de 21 de setembro de 1897 (em Masson, 1986), Freudlhe relata um sonho que conteria a revelação de uma fantasia eróticacom sua mãe. Essas eram as primeiras conjecturas de que temos registrosobre o que mais tarde veio a ser concebido como Complexo de Édipo.
O Complexo de Édipo como o conhecemos foi desenvolvido de forma gradual em muitos de seus artigos, só havendo um único,“O desenlace do complexo de Édipo” ([1924] 1976), que trata so-mente deste assunto. Novamente Freud recorre ao mito e à tragédiade Sófocles para construir sua teoria sobre o surgimento do desejono homem em sua relação com a lei.
Para Freud, o desejo teria origem na transgressão da lei pater- na: o objeto de desejo é a mãe, esposa do pai, objeto incestuoso aoqual se deveria renunciar para manter o amor paterno e proteger-seda vingança na forma de castração. É, então, através da renúncia aoobjeto materno e da submissão à lei paterna que o sujeito abririamão de seu gozo da mãe e entraria no campo da cultura e dos ideais.
O desejo provocado pelo objeto incestuoso, a mãe, determina- ria uma ambivalência na base das relações afetivas, amar e odiar opai. Para que o Édipo, enquanto complexo, tivesse um feliz desenla-ce, deveria haver uma repressão do sentimento hostil, o sujeito deve-ria submeter-se à lei e identificar-se com o pai enquanto represen-tante dos ideais culturais e encontrar objetos substitutos de amor.
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Freud afirma que o superego enquanto instância reguladora do sujeito é o herdeiro do Complexo de Édipo, pois é o fiador da leiintrojetada e dos valores morais cujo ultrapassamento determinariasentimentos de culpa e vergonha. A operação de recalcamento fun-cionaria de forma a manter fora da consciência as idéias de conteúdodesagradável, permitindo ao sujeito uma maior adequação à socieda-de. Podemos observar então sentimentos hostis se transformando emtraços de ternura ou ainda sofrendo desvios em relação ao objeto.
Lacan afirma que a pulsão sempre se satisfaz, quer na relação com o objeto parcial, quer na formação sintomática. Melhor dizen-do, existiria um gozo fora do sentido, um gozo de categoria real,exterior ao significante, o mais-de-gozar, o gozo fora-da-lei do sinto-ma. Esta formulação é uma contribuição de Lacan às formulaçõesfreudianas, uma vez que das Ding – a Mãe –, inacessível enquantomítica, é o que move seu desejo. Assim, o que o homem busca nuncaé o que encontra, que é die sache – o objeto parcial.
Para Lacan, o desenlace do Édipo deveria promover a simboli- zação da perda e a produção de uma metáfora como condição neces-sária para o acesso ao campo do desejo e a novos objetos de satisfa-ção que não a Mãe.
Lacan, ao trazer o pensamento freudiano para o campo da lin- guagem, descola a estruturação do sujeito de seus representantes fa-miliares. Assim, a função paterna do drama edípico ganha valor designificante Nome-do-pai. Lacan afirma que o pai não é um mode-lo, ele é uma função, enquanto quem interdita o amor incestuosoentre mãe e filho. Ele é uma exceção, um meio-dizer que produzuma inquietação.
Este conceito – Nome-do-pai – seria o operador que permiti- ria ao sujeito organizar-se frente à percepção avassaladora da castra-ção materna, promovendo uma metáfora frente à falta, à significa-ção do falo e à entrada no campo dos símbolos e dos ideais.
O significante Nome-do–pai seria o ordenador da subjetivi- dade, definindo a posição do sujeito no mundo, um estilo própriocom valor de sintoma – metáfora – que seria sua resposta frente ao TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 EROTISMO, UMA PÈRE-VERSION • 83
Real. Assim sendo, o significante Nome-do-pai funcionaria de for-ma estruturante, determinando no sujeito uma versão paterna pes-soal, particular e intransferível, um sintoma com valor de nomepróprio.
Lacan (1974-1975), no seu Seminário 22: RSI, diz que o mais- de-gozar do sintoma é decorrente desta “pai-versão” – père-versionem francês. Brincando com a homofonia, Lacan afirma que não de-vemos falar em perversões, pois que todo sujeito se apresenta “pèreversé”. Ele brinca com o sentido dizendo que essa versão paternadetermina pequenos gozos, não passando mesmo de um aperitivode gozo, “a-pèr(e)-itive du jouir”.
Assim, o pai enquanto operador simbólico tem valor de exce- ção, não é um modelo a ser copiado, mas um meio-dizer que de-manda do sujeito sua versão, seu sintoma. Para Lacan, a passagempelo Édipo ilustraria a estruturação quaternária do sujeito – real,simbólico, imaginário, sintoma –, permitindo sua definição sexual eo acesso ao campo do desejo.
EROTISMO NA FILOSOFIA: BATAILLE
Georges Bataille ([1957] 1987), em O erotismo, afirma que o sujeito nasce e vive de forma descontínua, ou seja, ele traz um isola-mento em relação ao próximo que lhe imprime sofrimento e soli-dão. Para Bataille, o erotismo teria a ver com a busca da continuida-de e o fim do isolamento do ser. O erotismo promoveria, através darelação sexual, uma fusão dos corpos, que se amalgamariam, mistu-rando-se de forma indiferenciada. A continuidade almejada se dariano engendramento dos corpos, no encontro dos gametas e na pro-dução de um novo ser. Esse seria o sentido do erotismo: através dasexualidade, os seres descontínuos ultrapassariam os limites do cor-po, passando a constituir uma fusão assexuada.
Contudo, esta situação portaria um paradoxo, pois, na medida em que fosse gerada uma nova vida, a morte surgiria no horizonte,em perspectiva. Assim, o erotismo e a continuidade dos seres só seri- TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 84 • CYNTHIA DE PAOLI
am alcançados em sua referência à morte, na lógica própria à nature-za que promove a substituição dos seres que teriam sua energia esgo-tada. Enfim, o erotismo, nesta perspectiva, teria a ver com a trans-gressão que levaria o ser sexuado para o campo da indiferenciação.
Bataille ([1957] 1987) afirma que a condição de surgimento do erotismo é o ato transgressivo, isto é, seria preciso o reconheci-mento da lei e seus limites, para então surgir como um ato que vio-lasse os interditos fundadores dos laços sociais. O surgimento dodesejo se daria então na transgressão às normas, sendo uma violaçãoprevista na origem. A moral civilizada, conseqüência direta do esta-belecimento do interdito, determinou no homem a passagem de umasexualidade livre para uma sexualidade envergonhada.
Sobre a natureza do interdito, Bataille ([1957] 1987) sustenta que pode adotar várias formas (entre elas, o incesto); sua importân-cia consistiria na regulação da sexualidade e do direito à vida. Emalguns casos, as transgressões são organizadas, esperadas e regradas econfigurariam um rito iniciático em que a violação do interdito fun-cionaria como uma passagem a uma nova situação no grupo consti-tuído. Recorrendo a costumes sociais, Bataille cita os casos dedefloração, no casamento, pelo soberano ou senhor feudal, na IdadeMédia. Só alguém que estivesse posicionado diferentemente frente àlei poderia cometer a violação do que seria um tabu para os demais;assim, longe de ser promíscua, essa violação seria uma iniciação sa-grada. A mesma lógica se aplicaria à guerra, que seria uma transgres-são da paz: a guerra seria uma violência que se justificaria, pois teriacomo finalidade a convivência pacífica entre os povos. Enfim, estasformas de transgressão funcionariam de forma a preservar as regrassociais da civilização.
Concluindo: Bataille ([1957] 1987) considera que o erotismo só acontece frente ao respeito à lei, em que a violação do proibidoimplique um valor subjetivo pessoal, uma experiência íntima. Paraenfatizar, ele alerta que o erotismo não deve ser confundido comrelação sexual, coisa que, segundo ele, seria apenas “para os animais”.
Ressalta ainda que a transgressão contida no erotismo não é uma TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 EROTISMO, UMA PÈRE-VERSION • 85
volta à natureza, à animalidade, mas uma suspensão momentâneado interdito para restaurá-lo em seguida. O erótico surge como umexcesso pulsional que se impõe, e a violação ao interdito é entãoprevista e não desregrada. Lei e violação portam uma afinidade naestrutura: a transgressão funda e sustenta o interdito.
É na medida em que retornam de fora os efeitos da transgres- são cometida que é possível perceber o estreito laço que une interdi-to e desejo. Se o interdito é o fundamento do grupo social e dacivilização, o desrespeito à lei atrelado ao desejo determina osurgimento da angústia. A angústia, enquanto algo que vem de fora,invadindo o sujeito, exibe a relação íntima que mantém com o in-terdito, um desejo imperioso visa deslocar a angústia que o acompa-nha. “Se observarmos a vida humana em sua totalidade, vemos queela aspira [.] à prodigalidade, até a angústia, até o limite onde aangústia não é mais tolerável. O resto (a austeridade) é conversa demoralista [.] uma agitação febril em nós pede à morte para exercero seu furor às nossas custas (Bataille, [1957] 1987: 57).
Assim, Bataille ([1957] 1987) aponta a desmedida do desejo em sua articulação com a violência contida na morte. O excessopulsional é impossível de ser submetido completamente à razão, é o“que assusta e fascina” (Bataille, [1957] 1987: 48) e “Erotismo [.] é[.] o desequilíbrio em que o próprio ser se põe em questão; [.] oser se perde objetivamente, mas nesse momento o indivíduo identi-fica-se com o que se perde” (Bataille, [1957] 1987: 29).
EROTISMO NA CONTEMPORANEIDADE
O DESEJO É PÈRE-VERSÉ
Articular erotismo e pudor leva necessariamente a pensar na sedução, num jogo de “esconde e mostra” em que um sujeito se oferecea outro como objeto de desejo. O olhar, uma das formas do objeto a,é implicado na cena, onde busca sempre um pouco mais. Se consi-derarmos que a forma pela qual o sujeito se endereça ao outro é TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 86 • CYNTHIA DE PAOLI
conseqüência do contexto sociopolítico, faz-se mister interrogar acontemporaneidade.
Contemplamos na atualidade o declínio dos ideais tradicio- nais que organizavam antigamente o grupo social e sua não substi-tuição por outros legitimados integralmente. Experimenta-se, naverdade, uma crise de costumes, ou melhor, passamos do universalao particular, pois cada grupo tem suas próprias leis.
Se cada grupo social se organiza de forma singular, não deverí- amos nos surpreender com a aversão às diferenças, com os conflitosreligiosos ou étnicos, com a paranóia generalizada apontando aprevalência do sentimento de unheimlich, conceito formulado porFreud que aponta a estranheza e o ódio na relação com o outro.
Jacques-Alain Miller (1999) sustenta que nos dias de hoje não existe mais a relação vertical ao líder, político ou religioso, como oque ordenaria o grupo, ou seja, não haveria o reconhecimento deatributos pessoais especiais em alguém que funcionasse como ideal aser alcançado, exceção e referência a seguir. Os líderes no sentidoantigo não mais existem, sendo substituídos por coordenadores deprojetos comuns que se organizam em comitês que, através de dis-cussões e acertos, deliberam sobre o que é ou não é ético. O estabe-lecimento de leis reguladoras e princípios seria feito dentro de cadacomunidade. Dessa forma, não estaria mais submetido aos valoreshumanistas ou ao Bem da pólis como ideal a perseguir, configuran-do uma lei local. Como não existe mais liderança, a identificaçãonecessária para a constituição social, tal como nos ensinou Freud,deixa de ser vertical para horizontalizar-se na referência aos inte-grantes daquele grupo.
Freud na psicanálise e Bataille na filosofia concordam que o erotismo surge frente ao interdito, ou seja, é preciso que a lei reguleo gozo para que o erotismo, enquanto uma experiência subjetiva,surja na busca de um mais-de-gozar, como diz Lacan. Contudo, seconcordarmos que vivemos uma crise em relação ao estabelecimen-to da lei, em que circunstâncias emergiria o erotismo na contempo-raneidade? O que é proibido? O que é inacessível? TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 EROTISMO, UMA PÈRE-VERSION • 87
Bataille ([1957] 1987) sustenta que os dois principais interdi- tos são os que regulam a liberdade sexual e individual de cada um,“não pecarás contra a castidade!” e “não matarás!”, que pertenceriamaos mandamentos da fé cristã. Entretanto, no ocidente judaico-cris-tão essas máximas não são respeitadas: a mídia e os órgãos de comu-nicação nos invadem com o desvelar dos corpos e o enaltecimentodas imagens, alardeados e infundidos no sujeito como princípiosnorteadores da existência. Assim, o que é universal no Ocidente cris-tão é o compromisso com a imagem, com o sucesso, com o capital,com o gozo das facilidades da vida moderna e da tecnologia, assimcomo dos bens de consumo. O corpo passou a ser mercadoria einstrumento de propaganda. A sexualização do corpo – feminino emasculino –, que antigamente provocava furor em nossos antepas-sados, hoje é banalizada, deixando o sujeito quase inerte frente atanta exposição. Os corpos em cópula eram tema de revistas porno-gráficas suecas, vendidas clandestinamente por alguns jornaleiros aosadolescentes curiosos e sedentos. Hoje, os clips expõem homens emulheres seminus em danças ousadas, assim como encenações infla-madas do ato sexual. Enfim, o que era condenado como inadequado– o sexo explícito –, coisa “para maiores de idade”, é agora vistolivremente em canais de televisão e na internet. Assim, a informaçãoe as imagens se impõem ao sujeito que, despreparado (como nossascrianças) para dar conta de tanto estímulo, defende-se na alienação,anestesiando-se frente ao que vê.
Também a ciência tem trabalhado no sentido de afastar as fan- tasias e os mistérios que incitam à sexualidade e que tanto estimula-ram o devaneio de nossos antepassados. Não só a medicina fez umadefenestração de nossas entranhas, reduzindo um corpo, antes tãoromanceado, à condição de organismo, como também a indústriafarmacêutica apoderou-se da libido humana, promovendo a ereçãoa partir de estímulos químicos, tais como Viagra, Cialis, etc. Não hádúvida quanto às observações clínicas de que o sofrimento humanosurge de forma diferenciada da época de Freud, a utilização depsicofármacos hoje não é mais considerada uma interferência inde- TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 88 • CYNTHIA DE PAOLI
sejável; eles são usados livremente, buscando graus de eficácia sem-pre maiores.
Já frente ao interdito “não matarás!” sua transgressão não pro- voca mais tanto horror. As simulações dos joguinhos infantis (serãoinfantis?) implicam que se mate o inimigo, que se bombardeie cida-des, criando situações virtuais que se confundem e se misturam coma realidade como a “second life”, espaço este concebido para darvazão aos instintos e gozos que não foram possíveis de experimentarna “first life”.
No mundo contemporâneo, “second life” não diz respeito à vida após a morte, à transcendência, muito ao contrário, ela fala deuma simultaneidade de vidas que podem co-existir, multiplicando-se em seus avatares. Assim, a vida, da forma que a conhecemos, podeser acrescida de outras experiências com situações inventadas, emque somos sujeitos e ao mesmo tempo personagens. A idéia de erlebnisenquanto experiência de vida, pessoal e intransferível, sofre os res-pingos das “outras vidas”. Como conseqüências, também os anseiospor conquistas e compromissos com o futuro são afetados.
A guerra do Golfo, a primeira televisionada, há uma década aproximadamente, trazia a realidade do bombardeio do Kuwait comoum videogame, sem a dramaticidade da eliminação do semelhante,exibia a destruição de um país e de uma economia da qual dependi-am milhões de pessoas; a mutilação dos corpos não implicava valortraumático algum, o espetáculo reduzia-se naquele instante simples-mente a aniquilar o “inimigo” ou “opositor”. Se as primeiras ima-gens trouxeram choque e constrangimento, a repetição arrefeceu asemoções até quase a indiferença.
A questão se coloca: o que seria transgressão em nossos dias? Se nossos líderes não mais representam os interesses de um povo e simas conquistas de regalias pessoais, quem representa e sustenta a lei? Aúnica lei que sabemos ser universal no ocidente é a do capital, a leido mercado. Num mundo marcado pelo acúmulo de bens, as razõesde vergonha são mais prosaicas, tais como a pobreza, a falta de aces-so ao gozo dos bens de consumo alardeados pela mídia, o fracasso TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 EROTISMO, UMA PÈRE-VERSION • 89
profissional, a feiúra, o envelhecimento, a doença, encontrar-se forado mercado produtivo, etc.
Se tudo já foi exposto à exaustão, se a sexualidade não compor- ta mais mistério ou exclusividade, a sexualidade deixa de ser“subjetivada”, como diz Bataille ([1957] 1987), e passa a ser o exer-cício de mais um gozo conquistado. Os corpos já não trazem enig-mas e esconderijos, o que era privado a um olhar particular tornou-se acessível a todos os olhares.
Nos dias de hoje, em que a sexualidade já foi toda desvelada e o corpo nu não apresenta mistério, como pensar em pudor provo-cando desejo? A sedução tradicional, o jogo de sombras, que mostrae revela o corpo, não mais provocam resultados. Quais são os ex-pedientes a que se recorre em busca de emoção na relação com ooutro? Numa sociedade em que existe um empuxo ao gozo – “deve-se gozar o mais que se puder” –, o pudor pode parecer índice dedesajuste, inibição, denúncia de um gozo que o sujeito não desfruta.
A proibição de acesso ao corpo do outro não provoca desejo neces-sariamente, mas pode apontar uma privacidade incompreensível paraalguns.
Exemplos abundantes nos traz a clínica sobre esse imperativo de gozo. Lúcia tem 14 anos e acredita-se deslocada em seu grupo: elaé BV (boca virgem) e experimenta isso com vergonha, como algoque a diminui frente aos demais, tendo que esconder do grupo. Comonão é muito atraente e assediada pelos meninos, ela os procura seoferecendo para lhes fazer sexo oral. O ato é então uma forma equi-vocada de se inserir no grupo dos que usufruem deste gozo sexual,sem conter nenhum valor erótico.
Outro exemplo: Marcela, 26 anos, é uma moça muito bonita, quer namorar. Contudo, acaba por afastar os rapazes quando desco-brem que é virgem. A virgindade, que antes era vista como umavirtude e preservada como um valor até o encontro do amor, passoua significar um entrave na relação com o outro. Vivemos em umaépoca em que as pessoas não querem (ou não conseguem) estabele-cer laços de afeto, os parceiros devem ser pouco investidos para que TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 90 • CYNTHIA DE PAOLI
possam ser substituídos e descartados sem sofrimento. Assim, a ten-dência atual aponta uniões pouco duradouras, com reduzida tole-rância às intercorrências.
Mendes de Almeida (2004) escreveu um livro, fruto de uma pesquisa sociológica, em que analisa os hábitos dos jovens da socie-dade carioca, apontando o empobrecimento simbólico em relação aoaspecto imaginário dos adolescentes. A autora assegura que a aproxi-mação dos jovens deixou de acontecer pela via da sedução e do corte-jo, pois é determinada pela contabilidade do número de parceiros.
Para ela, não se trata mais de namorar ou flertar, mas de “ficar”, redu-zindo o parceiro a uma conveniência geográfica. A experimentação docorpo surge enquanto estatística, na medida em que os adolescentesfazem comparações entre si sobre o número de “ficantes” daquela noi-te. Em nossa sociedade ocidental contemporânea, o “ficar com” é umaexperimentação do corpo que nada tem de erótica e que não é umaforma de relacionamento unicamente adolescente, mas generalizada.
Assim, o pudor nos dias de hoje não tem mais o sentido que tinha em sociedades patriarcais e tradicionais, em que o pai de famí-lia era um representante autorizado do pai simbólico. O pudor nãoaparece mais ligado ao erotismo, mas referido à inacessibilidade dogozo. Se o mais-de-gozar é a máxima a ordenar o homem contem-porâneo, não exercê-lo é o que traz vergonha, é o que se deve escon-der. Nesta lógica, o falo imaginário e seus sucedâneos é o que deve-mos exibir. Assim, as formas de erotismo passam por modelos ereferências singulares.
Bauman (2001; 2004) sustenta que na atualidade as pessoas vivem entre si “relações líquidas”, em que a consistência dos laçosamorosos é fluida, os laços se “liquefazem”. A vivência da sexualida-de impregnada de fantasia e movida por uma “experiência íntima”,como diz Bataille ([1957] 1987), é criada no caso-a-caso, segundo a“père-version” de cada um. Assim, temos casais que se sustentam apartir da fantasia compartilhada que inclui na conjugalidade a trocade casais (swing), o uso de drogas estimulantes, a presença de tercei-ros, cenas de ciúmes e ira, etc.
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Em Do bom uso erótico da cólera, Gérard Pommier (1996) dis- cute as relações de casais em que a cólera tem um papel fundamentalno desencadeamento da vivência erótica. Ele aponta, trazendo exem-plos clínicos, relacionamentos em que o sintoma do casal fica expos-to na forma enraivecida e furiosa que conduz ao acasalamento. Elediz ter observado na clínica uma proporcionalidade entre as intensi-dades vividas na violência – que dá início ao desenrolar da cena –,movida por algum terceiro que pode ser um rival ou um outro ele-mento ocasional, e a sensualidade de seu epílogo. Para ele, a cólerapromove uma certa ruptura com a razão, instalando uma certa sel-vageria que libera o desejo para suas vivências mais ardentes. É comose fosse construída uma cena para que surgisse uma ira destruidora,intensidade esta que romperia barreiras, desencadeando a pulsão eró-tica num sentimento apaixonado. Após a conclusão de todo o episó-dio, o relacionamento retorna ao equilíbrio cotidiano do casal. Aviolência em sua articulação com o desejo aparece de forma disfarçada,pois o motivo para a briga inicial encobre essa vertente do erotismoque talvez não ocorresse de forma desvelada. Assim, é preciso queexista a trama, o engano, a máscara para que a paixão colérica serealize em ato amoroso. Podemos dizer que a cólera permite viver oerotismo em sua vertente violenta, sem que se saiba disso.
No exercício clínico, podemos perceber a cena sendo montada na rotina dos casais: observações hostis, atrasos e faltas a encontrosmarcados, descortesias em geral, etc que teriam como finalidade pro-vocar um clima conflituoso que pudesse se desenvolver e propiciar avolúpia erótica. Situações que passariam desapercebidas se não esti-véssemos atentos à repetição sintomática da cena.
Não devemos confundir tais “montagens” com vivências sado- masoquistas ou práticas perversas, mas considerá-las como um ex-pediente atrelado à fantasia, trazendo a ambivalência do amor e ódionas relações do casal para o campo do desejo erótico.
Podemos observar, na clínica, mulheres que estão sempre bus- cando provocar ciúmes e ódio nos maridos até que estes explodemem ira, para alcançar, ao final da cena, um ato sexual intenso e apaixo- TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007 92 • CYNTHIA DE PAOLI
nado. A violência, nesse caso, encontra-se dentro da lei, trata-se deuma suspensão momentânea do interdito que referenda o ato sexualfora da finalidade reprodutiva, como expressão de amor.
Pommier (1996) afirma que tal forma de relacionamento se torna freqüente na atualidade, em que o sexo é banalizado e o corpoé oferecido a cada esquina enquanto descartável e impessoal. Dizainda que a cólera pode funcionar evocando a antiga rivalidade dodrama edípico, em que a presença do outro resgata os ciúmes e oconfronto com o pai e a ameaça de castração desperta a libido. Nãose trata de sadismo, pois não se obedece a um Outro da maldade,nem se deseja destruir o objeto; muito ao contrário, o que se desejaé viver a proximidade. Podemos invocar Sade e a violência descritaem sua literatura – “comer”, “rasgar”, “estourar”, “dilacerar” são pa-lavras que tinham a intenção de tudo dizer sobre o gozo, mas man-tiveram-se na linguagem e não nos atos.
Pommier (1996) acredita que a violência no linguajar e nos atos obscenos, que ferem o pudor, encontra-se referida à figura pa-terna descrita por Freud ([1913] 1976) em “Totem e tabu”. As pala-vras obscenas seriam um estímulo apropriado ao desejo numa refe-rência ao pai totêmico. Melhor dizendo, o que se imaginaria deexecrável e repugnante neste pai que ditava a lei seria repetido pelosujeito num esforço de fazer o pai da horda existir. Para Pommier(1996), recorrer ao pai da horda como fantasia na vida sexual é umrecurso cada vez mais comum: a violência atuaria junto ao erotismo,não implicando seu exercício concreto ou sadismo com o parceiro,mas uma forma particular de amar.
O desejo erótico deve então ser compreendido como “père- versé”, tal como diz Lacan, na medida em que é sempre referido aopai e à própria castração, seja ao pai da horda – o “violador sodomita”como diz Pommier (1996) – ou o pai do Édipo.
Podemos marcar aqui uma diferença fundamental entre a vio- lência e a cólera como fantasia que leva ao ato amoroso e o sujeitoque busca o horror no olhar do outro ao praticar atos obscenos.
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As circunstâncias repulsivas e apavorantes, a repugnância dos odores e a erotização das fezes e da urina compõem a fantasia numaidentificação “ao que se gostaria de ser”, o pai execrável e sem limitesem relação ao gozo. O quadro asqueroso é o móbil da excitaçãosexual e o olhar cheio de repulsa do outro confirma sua virilidade. Acena evoca o Pai primevo, senhor de todos os gozos, ditador capri-choso da lei sobre os demais, é uma tentativa de fazê-lo existir. Con-tudo, estas cenas colocam-se fora do laço social, não visam alcançaro outro, mas afastá-lo terminantemente.
Ao ouvirmos na clínica narrativas de conteúdo erótico, deve- mos interrogá-las em sua referência à lei e percebê-las como indíciosda versão paterna particular de quem nos fala. Contudo, o que émais relevante a considerar é a forma com que essa sexualidade acon-tece, se a fantasia transgressiva que lhe é subjacente encontra-se den-tro do laço social ou se busca uma ruptura com este. Penso que estesaspectos são fundamentais e deveriam nortear a escuta, se superpondoaos relatos que classicamente consideraríamos perversos.
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Aceito para publicação em 21 de junho de 2007 TEMPO PSICANALÍTICO, RIO DE JANEIRO, V.39, P.77-94, 2007

Source: http://www.spid.com.br/revistas/r39/06%20TP39%20-%20Cynthia%20De%20Paoli.pdf

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